quinta-feira, 5 de abril de 2012

O Ferrolho.

Todo mundo tem ou já teve um ferrolho.

O primeiro é a barriga da mãe da gente, lá nada de mal nos acontece (em tese, tem mãe que é mais câmara de tortura do que ferrolho - digo, as fumantes, drogradas, as que se apertam toda, entre outras.)

Depois a mão forte e firme do pai, pra gente atravessar a rua, entrar no mar, pra nos segurar quando a gente tá caindo do brinquedo na pracinha.

A vó, que nos livra da surra, às vezes merecida, outras mera precipitação de quem tá cansado da gente, mas não pode admitir, pois mãe é mãe e pai é pai, como podem se cansar dos filhos?! Podem sim...

Tem também a amiga, aquela do peito, que na hora do aperto faz a gente acreditar que tá tudo bem, que não vai dar nada. Amiga que é amiga transforma a realidade. Depois a gente se dá mal de fato, mas por o tempo de uma conversa parece que tudo se ajeitou.

E tem o namorado, que às vezes se faz de ferrolho, e é o "cão" vestido de ovelhinha! A gente até cai, mas no fim aproveita.

O que seria da gente sem um ferrolho?

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O homem das roupas cor de laranja.

Lá estava ele, o homem das roupas cor de laranja. Ele dividia algo cor de laranja também, mas não era a sua roupa.

Era tão simples, era um mamão!

De dentro da lotação dava pra ver, ele repartiu o mamão como quem reparte o pão de cada dia com a sua família.

Estavam aguardando a entrada no albergue. Alguns recusaram a fruta, outros aceitaram. Em questão de 1 minuto deu pra ver tudo, ele repartiu, um deles aceitou e levantou-se pra colocar as sementes e a casca que estavam na mão, na lixeira. Quanta nobreza, não se suja o chão onde se senta! Além do que estavam diante do homem "rico". O homem "rico" ofertava comida e iria passar a noite com eles.

No albergue? Um homem rico? Sim, ele era rico, tinha emprego!

Da lotação, duas senhoras olhavam o gesto, como algo extraordinário! Tão pouco... doar um pedaço de mamão, e muito, pra quem não é acostumado a doar nada.

Receber aos olhos a compaixão causa perplexidade!

A estas horas todos que viram já esqueceram. Quem recebeu e o homem do mamão não. Este estará lá, todo o final de tarde, aguardando a cama pra dormir, descansar o corpo pra no outro dia ter alimento pra dividir com os "pobres" .

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