quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A solução.

Todo mundo tem uma solução no bolso.
Solução pra salvar o planeta, solução pra ganhar o campeonato de futebol, solução pra política nacional e sempre uma solução pro problema dos outros.
Quem nunca receitou um remédio pro filho de alguém? Quem não solucionou o problema da mulher que não sabe onde anda o marido as tais horas? Quem não exaltou em alto e bom tom a solução pro problema da professora que não consegue dominar o aluno? Quem não resolveu com a vizinhança o problema do síndico que não consegue pagar as contas do prédio?

Tem solução pra casamento que custa a acontecer, tem solução pra separação que acontece rápido demais.

Todo mundo dá pitaco, todo mundo sabe o que "tem que ser feito"! Os solucionadores só não encontraram "ainda" solução pra morte.

Porém, soluções boas existem, só que muitas vezes mal aplicadas, soluções minhas pros problemas dos outros, problemas meus, sem soluções de ninguém.

E o pobre coitado ainda lá, atropelado, rodeado de gente ao redor, desacordado, sem nem chance de começar a pensar na solução do seu problema.

Cada macaco no seu galho!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O problema.

Todo mundo tem um problema pra resolver. Pequeno ou grande, urgente ou não, cada um que passa carrega um problema.

O homem do táxi tem um problema, pensa no que vai comer no almoço. O pedestre tem um problema, quer saber como vai fazer pra pagar a conta. O motorista do carro importado tem um problema, o que será que vai dizer pra mulher logo que ela chegar e ver o que ele fez. A mulher que leva os filhos pra escola tem um problema, ela esqueceu o lanche das crianças na mesa da cozinha.
Com ou sem dinheiro no bolso, na conta, a receber, todo mundo tem sempre um problema.
Cada um com seus pensamentos segue seu caminho, e os pensamentos giram em torno de pequenas ou grandes decisões que resolverão ou criarão mais um problema. E assim o fluxo segue, perfeito, ninguém se choca, ninguém perde o caminho, até que um desatento ultrapassa o seu limite e provoca um acidente.

O motorista de táxi diminui a velocidade, espia e segue, o problema não é dele.
Os ocupantes do ônibus viram a cabeça, mas são obrigados a seguir, o problema não é do motorista do ônibus deles.
Os pedestres param, posicionam-se em torno do dono do maior problema naquele instante e se esquecem dos seus problemas, tentando descobrir como será resolvido o problema do coitado que desatento pensando no seu próprio problema causou um problema pros outros. Pobre, o cara dentro da ambulância nem se deu conta, mas está com um problema, ainda desacordado ele perde o tempo para tentar resolver.

sábado, 5 de novembro de 2011

Procurado por Deus.

Certa noite o pequenininho dela comentou ao deitar-se.

- "Jesus esteve aqui e ele me abençoou."
- Ela estranhou a palavra, "abençoou" e perguntou como ele havia feito isto, e ele descreveu o gesto, de sobrepor a mão na cabecinha dele.
No outro dia, por si só ele fez o mesmo comentário.
- "Jesus esteve aqui e ele me abençoou."

Logo Ela conversou com pessoas que entendem das razões espirituais e lhe afirmaram que é plenamente possível que o seu ANJO, aquele por quem ela chama todas as noites e agradece os cuidados ao filho pode ter se manifestado a ele, realmente, abençoando-o.

Isto é SENSAÇÃO!  Sensação de proteção, de ajuda, de Amor.

Ele nunca vai estar sózinho!

Tudo por uma sensação.

Certa vez, conversando com uma amiga sobre filhos, a moça lhe questionou?
- Ter filhos pra quê? Em troca de uma sensação? Filhos não te dão nada!
Outra pessoa rebateria: - "Claro que te dão, te dão amor incondicional!"
E o que é amor incondicional? É uma SENSAÇÃO! SENTIMENTO!
A gente tem filhos pra isto, pra ter sensações, pra satisfazer necessidades de sentimentos, pra doar e receber sentimentos. Filhos não te darão nada além disso. Pode ser que se você precisar, um dia na velhice eles te amparem. Há quem diga que é uma obrigação, assim como é obrigação fornecer embasamento para criação dos filhos a fim de torná-los adultos justos, responsáveis, educados, enfim, pessoas de bem.

Mas quando tudo começa, quando a magia começa, o que nos nutre são sensações. Alegria, prazer, felicidade, angústia, medo, insegurança... de ambos os lados, das mães e dos filhos.

Ela se alimenta de SENSAÇÕES, é só o que ele pode dar, é só isso que Ela quer.

Como ele, ninguém...

Ninguém segurou Ela tão firme quanto ele. Ela tinha medo, mas com ele não, ela ficava lá... sentia o sol, o sal, a temperatura às vezes fria com que o corpo se acostumava aos poucos, o movimento das ondas fazendo seu corpo flutuar com a plena certeza de que estava bem. Permanecia assim um tempo que não se pode estimar, um tempo que a memória só traz a tona como bom, nem muito, nem pouco, o suficiente pra ficar guardado na lembrança.

Ela não entrava só com ele, entrava com ela também, mas as mãos desta eram delicadas, frágeis, ela gostava, claro, mas não era a mesma coisa. Tempo bom! Que não volta mais, nunca mais vai se repetir, a não ser nas suas memórias...

Muito ele esteve com Ela, nos momentos principais da sua vida, até que declinou da sua companhia, como quem vende um objeto, doa a alguém, desfaz-se de algo que o perturba, o incomoda ou não condiz com a sua realidade. Mas as lembranças ficaram, não em forma de saudade, nem de tristeza, nem de alegria, mas de momentos, momentos que fazem a vida, quadro a quadro, momentos atestam que houve VIDA.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O primeiro, o segundo, o terceiro...

O primeiro a quis, e se foi...

O segundo a escolheu, e se foi....

O terceiro, Ela o quis. Que Deus permita, que nunca vá embora.

domingo, 7 de agosto de 2011

Amputações - Martha Medeiros

Quando o filme 127 Horas estreou no cinema, resisti à tentação de assisti-lo. Achei que a cena da amputação do braço, filmada com extremo realismo, não faria bem para meu estômago. Mas agora que saiu em DVD, corri para a locadora. Em casa eu estaria livre de dar vexame.
Quando a famosa cena se iniciasse, bastaria dar um passeio até a cozinha, tomar um copo d´água, conferir as mensagens no celular, e então voltar para a frente da TV quando a desgraceira estivesse consumada. Foi o que fiz.

O corte, o tão famigerado corte, no entanto, faz parte da solução, não do problema. São cinco minutos de racionalidade, bravura e dor extremas, mas é também um ato de libertação, a verdadeira parte feliz do filme, ainda que tenhamos dificuldade de aceitar que a felicidade pode ser dolorosa. É muito improvável que o que aconteceu com o Aron Ralston da vida real (interpretado no filme por James Franco) aconteça conosco também, e daquele jeito.

Mas, metaforicamente, alguns homens e mulheres conhecem a experiência de ficar com um pedaço de si aprisionado, imóvel, apodrecendo, impedindo a continuidade da vida. Muitos tiveram a sua grande rocha para mover e, não conseguindo movê-la, foram obrigados a uma amputação dramática, porém necessária.

Sim, estamos falando de amores paralisantes, mas também de profissões que não deram retorno, de laços familiares que tivemos de romper, de raízes que resolvemos abandonar, cidades que deixamos. De tudo que é nosso, mas que teve que deixar de ser, na marra, em troca da nossa sobrevivência emocional. E física, também, já que insatisfação é algo que debilita.

Depois que vi o filme, passei a olhar para pessoas desconhecidas me perguntando: qual será a parte que lhes falta? Não o “Pedaço de Mim” da música do Chico Buarque, aquela do filho que já partiu, mutilação mais arrasadora que há, mas as mutilações escolhidas, o toco de braço que tiveram que deixar para trás a fim de começarem uma nova vida.

Se eu juntasse alguns transeuntes, aleatoriamente, duvido que encontrasse um que afirmasse: cheguei até aqui sem nenhuma amputação autoprovocada. Será? Talvez seja um sortudo. Mas é mais provável que tenha faltado coragem.

Às vezes o músculo está estendido, espichado, no limite: há um único nervo que nos mantém presos a algo que não nos serve mais, porém ainda nos pertence. Fazer o talho sangra. Machuca. Dói de dar vertigem, de fazer desmaiar. E dói mais ainda porque se sabe que é irreversível. A partir dali, a vida recomeçará com uma ausência.

Mas é isso ou morrer aprisionado por uma pedra que não vai se mover sozinha. O tempo não vai mudar a situação. Ninguém vai aparecer para salvá-lo. 127 horas, 2.300 horas, 6.450 horas, 22.500 horas que se transformam em anos.

Cada um tem um cânion pelo qual se sente atraído. E um cânion do qual é preciso escapar.

Jornal Zero Hora, 31 de julho de 2011.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O sumiço de Pingo de Ouro e do Soldadinho de Chumbo

Que eles se adoram dá pra ver... fica estampado nos seus rostinhos. O pequeno Pingo de Ouro bate palminhas quando o primo, o Soldadinho de Chumbo chega, ele balança as suas perninhas freneticamente. Ele acaricia o primo maior, com as suas mãozinhas contornando o seu rosto, e falando "ahhhh...ahhhh....ahhhh".

Pois bem, o dia da comemoração do seu primeiro aninho junto às 5 Marias chegou. Todos em festa! A vida estava eufórica! É uma grande vitória manter-se por um ano em um serzinho tão forte, mas tão frágil e tão necessitado de cuidados como um bebê. Ela vencia! E sorria! Usava roupa branca, muito branca, impecavelmente esticada. Os cabelos eram lisos, pra quem quisesse que fossem lisos, encaracolados, pra quem preferisse assim. Curtos, compridos, negros, ruivos, loiros, "ao gosto do freguês"!

Como em dias comuns, alheio à tanta movimentação o Pinguinho de Ouro foi banhado, arrumado e dirigiu-se ao salão da grande comemoração com seus pais, Maria Mais Velha e Calmaria. As Tias Maria do Meio e Maria Caçula não queriam nada além de afofá-lo e falar o quanto ele estava elegante! Logo o Soldadinho de Chumbo correu para acariciá-lo. E assim a festa se desenrolou!

Festa, música, conversas, comidas, brincadeiras, barulho, distração e.... Onde estavam os dois, onde estariam os primos? Não pode ser? Como teriam saído do salão? E teriam ido para onde? E sem autorização da menina? Humm, eles são pequenos, mas sabem que ela é geniosa, voluntariosa, mandona, tem as rédias nas mãos e muitas vezes não compreende seus próprios atos, é a Vida! Quanto risco! Teriam sido levados? Estariam escondendo-se?

Enquanto a família começava a dar conta do seu sumiço, os dois caminhavam, ou melhor, o Soldadinho de Chumbo conduzia o engatinhar do pequeno Pingo de Ouro. Não sabiam onde iriam, mas sabiam que iriam. E foi assim que voaram, num cavalo azul, como o da história, o cavalo não era alado, essas coisas não existem, mas que ele voava, voava.

O vôo foi alto e extenso. Sobrevoaram cidades, praias, campos. Os dois agarradinhos na crina do gentil animal, que não galopava. O cavalinho flutuava e conduzia o seu vôo ao sabor das emoções dos primos. 

O tempo passou sem que percebessem. Normalmente crianças nesta idade não sabem contar o tempo. O Soldadinho tinha mais noção, mas Pingo de Ouro só queria tentar pegar o vento!

O cavalinho parou, num lugar muito agradável, um lugar que nunca houveram de estar antes, e não estariam lá tão cedo. Estariam onde? Não tinha brilhos, não tinha brinquedos, não tinha coisas mágicas nem formas excêntricas que hipnotizariam qualquer um. Era simplesmente um lugar bom de se estar, aí estava o verdadeiro encantamento do lugar.

Sentadinhos, de mãozinhas dadas, muito tranquilamente, perceberam a proximidade de alguém, alguém que lhes causou bem-estar, lhes proporcionou paz, sorrisos de satisfação, pois sem perceberem estavam conhecendo alguém muito importante na vida deles, alguém que foi responsável pelo começo, o começo de tudo, uma hábil costureira...(A Avó)

Ela carinhosamente os acolheu em seu colinho, os acariciou, os beijou com uma estima incomparável, somente próxima a quem segura seus filhos amados e então os abençoou, dizendo que os "aventureiros" deveriam voltar para a festa, pois estariam fazendo falta e que nunca se esquecessem de que não são primos por acaso, que suas vidas se cruzaram por um motivo, o qual eles só poderiam compreender muito mais tarde, e que a forte e visível amizade deles deveria ser cultivada para todo o sempre.

E assim os pequenos montaram no seu cavalo azul, que como já disse, não tinha asas, mas voava, e voltaram para a festa. Numa fração de tempo os dois foram encontrados debaixo de uma das mesas, distraidamente brincando com os animaizinhos da fazenda. 

Ahã, o tempo é relativo, e dá pra muita coisa! E ela estará sempre por perto!



quarta-feira, 20 de julho de 2011

Procura-se um amigo.

Procura-se um amigo


Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
 

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
 

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
 

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinícius de Moraes


Este texto eu recebi da minha amiga Karina, que está para receber muito em breve a maior e melhor amiga que ela sonhou que poderia (além da sua mãe). Boas vindas à Maria Alice. 

Que a amizade delas seja intensa e para sempre!

F E L I Z  D I A  D O  A M I G O!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Quem castiga a Vida?


Ela precisava satifazer-se, precisava mostrar quem manda e, repentinamente, passou pelas cinco, quase que de uma vez só, aquele instrumento que trazia na mão, o acessório da roupa preta. Elas foram se esvaindo, grãzinho a grãozinho de areia foi correndo pelo corte provocado no tecido costurado com tanto amor pela velhinha, pela vózinha!

Elas não sentiam dor física, mas sentiam dor no coração, dor na alma, sentiam-se profundamente entristecidas. Estavam longe e nunca mais seriam felizes novamente, nunca mais pulariam, não seriviriam pra mais nada, era o fim!

Nenhuma reclamou, nem as mais fervorosas, liderado o ranking por Maria Caçula, até esta inexplicavelmente se calou, calou-se como que para sempre, parecia ter aprendido a lição. As outras nem chorar choravam mais, tornaram-se resignadas. Pobre Maria Neta! Mal começou a brincar... Se a Vida quis assim, terá que ser assim, pensavam elas. Só esperavam poder voltar, ao menos poder voltar, o que naquele momento parecia impossível.

A menina é assim, ela te maltrata, mas também sente-se mal com isto.
Quando elas imaginavam que a Vida estaria plenamente satisfeita e soltaria uma risada abundante e demorada, ela despiu-se daquela roupa preta que havia deixado de trocar, jogou a foice fora, com raiva, ela tinha muita raiva, os olhos seguravam as lágrimas com extrema força muscular da face, e sua enorme mão foi levada à garganta, como quem está se sufocando, ela não tinha mais voz, o pescoço doía, era o tal nó na garganta.

É surpreendente. Ela fez o que achou que deveria fazer, mas fez errado. E quem a castigaria? Assim como ela castigou, por que não poderia ser castigada? Existe alguém maior que ela? Talvez a Morte!

Ela é a morte! A morte não existe, e então ninguém poderá com ela! E ela precisava de penitência. Pelo menos era o que ela pensava.

Sentada, com as pernas encolhidas, e com as mãos na nuca ela se mantinha imóvel. As Marias limitavam-se a olhar, não tinham noção de há quanto tempo a menina estava assim parada, e quanto tempo mais ficaria naquela posição.
Uma a uma se locomoveram, desenchendo cada vez mais a cada passo e se aproximaram dos pés da menina. Se estavam tristes, arrasadas, então que se mostrassem unidas, arrependidas, que pudessem dar um restinho de generosidade, sentimento e calor que ainda sobrava, que não havia se esvaído com a areia dos saquinhos. A menina sentiu-se bem, sentiu-se perdoada, e o sentimento de perdão supriu o sentimento de penitência que alimentava, parecia que um acordo naquele momento se fazia.

Foi então que ela levantou-se e começou a trançar o cabelo, e com  gestos nobres colocou uma a uma por entre os nós da sua longa trança, para que ficassem seguras e as levou de volta para  casa, num vôo lento, delicado e muito prazeroso.
Ao chegarem ao seu quarto, ela derramou no chão areia do vazinho de flores e permitiu a que vó as enchesse e costurasse, como havia feito no começo, no começo de tudo. A Vó estava lá novamente, e com aquele sorriso que só quem a conheceu poderá imaginar. Ela aconchegou cada uma nos seus braços carinhosos e as consertou, pedindo que elas "secassem as suas cacimbinhas", como dizia quando elas eram crianças, pois não era mais necessário choro, a alegria estava de volta ao saquinho das 5 Marias. Ou 6?

domingo, 12 de junho de 2011

Ontem

Ontem ela se deitou e um texto inteirinho desenrolou-se na cabeça dela, frase a frase, vírgula a vírgula, e entre frases e vírgulas havia sentimento e era mais ou menos assim...

Certa vez ela se doou de corpo e alma, mas só conseguiu laços com a alma, o corpo não sustentou a relação, ou melhor, ela achava que não havia sustentado, mas doar-se por tão pouco tempo foi suficiente para que ele voltasse a procurar por ela. E por que "ele"  e não "ela"? Por que ela pensa que é "ele" e não "ela". Só isso!

E só ontem ela percebeu que ele pode ter vindo velho, adulto, menino ou bebê? Mais uma dúvida! Ela só sabe que ele veio sapeca, travesso, brincalhão, e ela nunca teve medo dele. Mas o importante foi que ele veio para o momento da despedida. Privilégio pra ela! E que a sua chegada tenha sido explêndida, a final, se ele "cresceu" com ela em apenas tão pouco tempo, ele mereceu chegar!

Depois ela se doou novamente, de corpo e alma, cheia de medo, cheia de ansiedade, querendo sentir cada momento do dia à flor da pele. Ela sabia que ele não voltaria, mas sabia que alguém chegaria, e ela não queria ser mais um instrumento, instrumento importantíssimo de passagem, mas queria ser um instrumento pra esta vida. E ela compartilhou, o corpo ainda é dela, mas a alma já foi entregue, a alma e o coração. Se doou pra alguém que realmente chegou, e este ela sabe, chegou "ele" e chegou bebê.

E ela se pergunta, por que tanto amor, de onde sai tanto sentimento por ela? Ela não é ninguém especial... ela só conseguiu se doar, e recebe doação em troca.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O dia em que Cristo fechou os braços.


RIO - O Cristo Redentor "fechou" os braços, num abraço simbólico ao Rio de Janeiro, na noite da última terça-feira (19/10/10)

O efeito - uma ilusão de ótica provocada por projeção de luzes e imagens - faz parte da campanha "Carinho de Verdade", de combate à violência e exploração sexual de crianças.
Para simular o abraço, o cineasta Fernando Salis usou oito projetores, que cobriram a estátua com imagens do Rio, como sobrevoos de asa-delta, as florestas e até mesmo o trânsito.
Ao som de Bachianas Brasileiras n.º 7, de Villa Lobos, e com animação em 3D, a estátua parece fechar os braços

quarta-feira, 8 de junho de 2011

E o castigo começou...

E o castigo veio a cavalo, e a um galope violento!

Ela soprou e o fogo acalmou, um restinho de fumaça foi sufocado com uma gotinha de saliva e sem se preocupar em recolocar a roupa branca a menina com apenas uma mão, aquela mão enorme, arrecadou todas as Marias e as colocou no seu capuz, sem se importar se estariam seguras, se estariam com medo, sem se preocupar em saber quem era a culpada. Ela alçou um vôo repentino e veloz, um vôo que parecia entrar na órbita do planeta e em segundos dava um rasante na terra, no mar, nas areias ferventes do deserto, na neve dos pólos do planeta, em canions e cataratas e na copa das árvores mais altas das maiores florestas ainda existentes.

Elas gritavam, gritavam muito, tentando segurar com a pouca força que ainda restava um centímetro que fosse do pano preto do capuz, para que não caíssem e se perdessem umas das outras em qualquer parte do mundo. E a menina ria! Ria muito!!! Loopings e loopings, era mais que uma montanha russa, era uma loucura total. Pra menina parecia uma brincadeira, mas ela na verdade, talvez sem perceber, estava mostrando o seu poder. Ela é assim, sem querer, te mostra que pode e que você não é ninguém, não é pário pra ela.

É a Vida!

Segundos pareceram anos, anos pareceram milênios, e milênios depois elas sentiram voltar ao segundo em que tudo começou. Porém, o lugar era estranho, nada parecido com nada do que conheciam, mas não era ruim, também não era bom.

Quase não tinham voz pra falar, de tanto gritarem estavam roucas. Os rostos inchados, choravam muito, arrependidas, embora não tivessem provocado o fogo juntas, estavam juntas, e como explicar, e como deixar Maria Caçula só numa situação tão difícil, e como lidar com a falta dos seus? O coração de Maria do Meio doía, como se fosse enfartar, como se estivesse do lado de fora do seu corpo, desprotegido. Não conseguia suportar a idéia de estar longe do seu Soldadinho de Chumbo. E Maria Mais Velha, afastada do Pingo de Ouro?! Não há dor maior, faz-se o que for possível, impossível, desejado, exigido pela Vida pra ficar junto de quem se ama incondicionalmente. Maria Mãe não soltou Maria Neta por um instante se quer, e Maria Caçula sentia arrependimento, mas não admitia. Talvez este fosse o grande problema.

E a menina cobraria um preço. Nem sempre o preço é alto, mas sempre é cobrado, mexeram com ela, não passaria em branco.

Até que ela falou, com uma voz tão doce e meiga. O seu semblante parecia dizer que elas eram tolas, que tudo estava bem, que era só uma brincadeira.

- Vocês brincaram com fogo então fizeram xixi na cama!

Entretanto, ela te engana, ela queria que elas pagassem...O susto não foi o bastante, ela queria mais... E teria que ser satisfeita, caso contrário, não voltariam pra casa jamais!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A Rebelião

Rebelaram-se, simplesmente rebelaram-se!

Depois de tanta saudade, ela voltou e foi embora, sem maiores explicações, deixando a todas decepcionadas, desde aquela noite.

Tudo bem que elas viveram um momento único. Quem não queria ter tido a chance de estar com alguém que nunca mais voltaria, mesmo que por somente algumas horas? Pense naquela pessoa inesquecível, naquele carinho que você nunca mais recebeu, naquela risada que nunca mais ouviu, no abraço apertado que nunca mais sentiu, porque simplesmente a Vida quis assim! E se essa pessoa pudesse voltar?!

- Motivo suficiente para a rebelião! Dizia Maria Caçula.

- Quem aquela guria pensa que é? Aqui é uma terra sem lei mesmo.Como é que nunca se pôde voltar  e agora pode!? E não se pode ficar? É uma falsa, se veste de preto e vai lá buscar os outros, anda com aquele troço na mão, se achando, só pra não ser reconhecida, só pra que não tenham medo dela, mas a gente bem sabe que as duas são uma só, muda de nome e manda pra reciclagem, falsa, mentirosa!!! (Quem conhece sabe bem como a Caçula é...)

- Calma Maria Caçula, não faz assim, não vamos brigar, a essa altura da Vida não vale a pena. Dizia Maria Mãe, pacatamente, do tipo tudo serve, tudo está bom.

- Calma nada! Vamos queimar o colchão!

- É isso aí! Dizia Maria Mais Velha, vamos nos rebelar, mas sem fogo!. (são feijão da mesma panela, a diferença é que a primeira perde a sensatez...)

E aí o bicho pegou! Maria Neta apavorada se escondeu por trás de Maria Mais Velha, pensando que não queria ir pra reciclagem tão cedo, chorando muito.... Maria do Meio tentava recuperar o controle da situação, tentava colocar ordem, pensar rápido, achar uma saída, pois bem sabe que a Vida não perdoa, e ela tinha saído pra fazer a limpa lá fora e teria que limpar a casa também, o saquinho seria desfeito.

Foi então que, impulsivamente, Maria Caçula queimou o colchão...

E agora? A caixa de brinquedos seria atingida, o saquinho estava lá perto! E os outros? Ela não pensou nos outros....

Tudo posto fora! O castigo viria à cavalo! Quem não sabe brincar cai fora da brincadeira, este sempre foi o lema. Estavam em maus lençóis, todas as cinco, uma por uma pagariam o preço da rebelião, pois se brincam juntas, assumem os erros umas das outras juntas. Ganharam um presente que não souberam aproveitar, não tiveram paciência pra esperar.

E a menina chegou, ainda de roupa preta, sombrancelhas juntas, séria e altiva. 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Naquela noite...


Naquela noite, noite em que se reencontraram, elas choraram, choraram muito, mas de alegria, alegria e tristeza, porque a vó, novamente foi embora. Por que ela ficaria? Por elas... Seria motivo suficiente, mas a Vida não pensa assim, e ela precisa de negociação. O segredo é negociar! Ô menininha difícil!

Elas relembraram com a velhinha cada dia que ainda permanecia claro nas suas memórias. Maria Neta olhava quietinha, admirando as histórias, e se dizendo mentalmente: "Também tenho histórias com a minha vózinha!"

Lembraram dos domingos em que ficavam na casa dela e no final de tarde viam o Show de Calouros. A vó sempre sabia quando o calouro seria reprovado. E elas ficavam intrigadas. Como ela sempre acertava? Até o dia em que ela contou, que ela cuidava a cara da Aracy de Almeida.

Lembraram-se quando simularam aquela fumaça de palco no quarto, pra dançar como chacretes, gastando um tubo inteiro de talco. Naquele dia o bicho ia pegar, na chegada dos pais delas, mas como sempre a boa vó deu seu jeitinho.

Lembraram-se do cafézinho preto que só ela deixava as crianças tomarem, a final, era uma vez na vida outra na morte. Palavra esta que agora elas descobriram que não existe, pura invenção de quem não conhece bem a Vida!

Lembraram-se da Clara, a cocotinha que escapou da gaiola logo após a viagem da vó, deixando a todos muito saudosos e entristecidos.

Lembraram-se do Lourdes, o chambre que a vó apelidara de Lourdes, em homenagem a uma vizinha sua que ganhou um e por anos a fio usou-o diariamente, inverno e verão, a coitadinha não deveria ser certa da cabeça.

Lembraram-se da história do Samba Lelê! E de quando elas de noite olhavam pro céu na companhia da vó tentando enxergá-lo!

E as viagens, cada viagem que a vó fez com elas. Era uma festa! Maria do Meio se agarrava nela e não soltava mais, gostava de andar de mão. Parece que dá pra sentir.


E naquela noite ela quis conhecer o Soldadinho de Chumbo e o Pingo de Ouro, dizendo: "São legítimos Oliveiras, serão homens de bem!" Coisa antiga, homens de bem! Mas era isso mesmo que ela queria dizer.

Até que ela teve que ir embora, sem explicação.

Será que ela voltará?

O homem que amava as gaivotas.

A estória abaixo foi retirada do livro 'O Homem que Amava as Gaivotas', e nos faz refletir um pouco sobre o objetivo dos obstáculos que por vezes encontramos em nosso caminho....

 "Era uma vez um fazendeiro que após uma colheita ruim reclamou: 'Se Deus me desse o controle do clima tudo seria melhor, pois parece que ele não entende muito de agricultura.'
Então o Senhor disse a ele: 'Durante um ano eu lhe darei o controle do clima: peça o que você quiser e seu desejo será concedido.

O pobre homem ficou muito feliz e imediatamente disse: 'Agora eu quero sol!', e o sol saiu. Mais tarde ele disse: 'Que chova', e choveu. Durante um ano inteiro, o sol brilhava e depois chovia. As sementes cresciam, cresciam... era um prazer observar aquilo! 'Agora Deus pode entender como se controla o clima', ele pensou com orgulho.
A plantação nunca antes havia crescido tanto, ficado tão verde, e de um verde tão saudável. Chegou a hora de colher. O fazendeiro pegou a foice para cortar o trigo mas sentiu um aperto no coração. Os caules estavam praticamente ocos.
O Senhor veio e lhe perguntou: 'Como estão as suas plantas?'
O homem se queixou: 'Pobres, meu Senhor, muito pobres!' 'Mas você não controlou o clima? As coisas não saíram  como você queria?' 'Claro! E é por isso que  estou perplexo - recebi a chuva e o sol que pedi, mas não há o que colher.'
Então o Senhor disse: 'Mas você nunca pediu vento, tempestades, gelo e neve, tudo o que purifica o ar e torna as raízes duras e resistentes! Você pediu chuva e sol, mas não pediu mau tempo. É por isso que não há o que colher."

                                                                                                                                                                 (Do livro "O Homem que Amava as Gaivotas", Osho)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sem moderação.

A Vida é uma menina linda! Ela é radiante, estontiante de tão bela! Tem o perfume que você quiser que ela tenha. Ela gosta de ser cortejada e adorada. Se você não gostar dela, assim como qualquer criança, ela não gostará de você, não admite rejeição. Ela é generosa, mas também é geniosa.
 
Ela é sua, mas você também é dela.

Ela se reparte pra você, mas você também precisa se doar a ela, senão ela pode parecer chata, ingrata, sem graça, malvada e bandida. Ela não é nada disso, ela é explêndida, bondosa, sábia e acolhedora.

Ela não é má, só que às vezes ela não lhe dá o que você quer, porque você não fez por merecer. Ela espera que você ande ao lado dela, e não atrás.

Ela adora brincar, pode lhe pregar peças inesquecíveis e aparentemente sem explicação, mas pra ela tudo faz sentido.

Todos os seus brinquedos brincam juntos, quem não sabe brincar, sai da brincadeira.

Não é preciso procurar por ela, ela está sempre ao seu redor, mesmo que passe desapercebida, pode contar que ela estará lá.

Às vezes ela se entristece, e parece que esta tristeza não vai passar nunca, mas ela é ainda muito jovem, tem tempo de sobra, e o tempo passa e ela retoma a sua alegria novamente, mas pra isto acontecer ela precisa de ajuda. Ela não é auto-suficiente.  Ela, como qualquer um precisa dos outros... é uma troca. Ela precisa de você e você precisa dela!

Ela é muitas vezes desvalorizada, não é aproveitada como deveria, não é lembrada todos os dias. Como podem se esquecer de algo que é imprescindível? Pois é, mas ela pode passar batida, mesmo com tanta beleza e exuberância.

Dê-se conta de como é bom viver, e viva plenamente tudo o que você conseguiu conquistar da vida, se você conquistou foi merecido.

Então, Viva sem Moderação!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O Dia Seguinte

O dia seguinte é o dia mais importante da sua vida, é no dia seguinte que sabemos se o dia de ontem valeu a pena!
Amanhã quando acordar, pense se o hoje valeu a pena e apaixone-se, porque em 24 horas você vai entrar no dia mais importante da sua vida.
O dia seguinte!


domingo, 8 de maio de 2011

Depois de tanta saudade...

    O saquinho de pano das 5 Marias precisava se movimentar, estava muito parado e já empoeirando...
    Maria pra cá, outra Maria pra lá, o tempo passando e elas cada vez mais ansiosas, esperando movimentação.

    Porém, nem sempre as coisas são como se quer. Terremotos, tsunamis, crianças machucadas, tornados, acidentes de trânsito. A Vida andava ocupada, há muito a ser feito, e essa menininha que parece incansável, mas não é, precisava "trabalhar" e também descansar. Brincar... só quando tudo corre bem. Só cabia às Marias esperar ou então... agir, loquear, pirar na batatinha!

    Combinaram em segredo: -"Vamos lá, de noitinha, quando a menina voltar a dormir. Sabemos que ela dorme com um olho só, então é só não fazer muito barulho. Maria Neta, pode rir, mas rí baixinho, não fica louca!"

    E assim foi...uma por uma saíram do saquinho de pano e começaram a pular. Pulavam sózinhas, pulavam juntas, davam cambalhotas, riam até rolar, se batiam umas nas outras e se ajudavam a pular cada vez mais alto. Até que o tempo passou e tiveram que voltar.

    Chegando de volta, viram o saquinho em posição diferente da que tinham deixado.
    -" E agora?"  Disse Maria Mãe.
    - "A menina vai se aborrecer, ela é geniosa, vai achar que mexeram nas coisas dela!"
    - "Entrem logo." Disse Maria do Meio.
    - "Já está feito, se ela ficar braba azar é dela, precisamos dela, mas ela também precisa da gente."
    E entraram receiosas. Só que não couberam todas as Marias de forma espaçosa como antes, o saquinho estava ocupado por uma sexta Maria, mais velhinha, meio descosturada e desbotadinha que parecia ter sido feita há muito tempo. Mas por quem? Quem era ela? E como assim, entrar no saquinho de panos costurado pela Vó Dita com a cara e com a coragem...

    - "Quanta audácia!" Exclamou Maria Caçula, enquanto Maria Neta olhava com os olhinhos arregalados!

    Aquela Maria velhinha olhava de um modo tão terno e trazia no semblante carinho e saudade, parecia que já as conhecia, parecia que nunca estivera estado longe.

    No silêncio do amanhecer um tum tum ficava cada vez mais alto e mais rápido, e os olhos das Marias voltaram-se para Maria Mãe, o barulhinho vinha dela, seu coraçãozinho marchava, ela parecia não acreditar no que estava acontecendo, era o tão desejado reencontro. Ela estava lá! Como que por um milagre a Vó Dita estava lá, agora ela era uma delas, a Vó que as criou, agora estava novamente junto a elas!

    Surpresa da Vida? De volta à Vida!

    Ela se aproximou e uma a uma as abraçou, como as abraçara há muitos e muitos anos, deixando nos seus corpinhos o seu perfume, o seu inesquecível perfume, e o seu tocar, tão delicado quanto um sopro de humanidade!

    Ela dizia com um sorriso estampado. "Fala couro de gato, fala meu tamborim! Eu vim brincar, eu também quero participar, mas agora com vocês sabendo que eu estou por aqui, pois:"

    "- Lembra-te Maria Mãe, quando passastes o momento mais difícil da tua vida, quando aquilo pelo qual lutavas acabou sem ao menos um Adeus? Eu estava lá para te ajudar a fechar a porta à noite, pois eu sabia que a tua vida mudaria definitivamente, pois ele jamais voltaria.

    - Lembra-te Maria Mais Velha, quando fostes em busca da tua felicidade, com aperto no coração por deixares tua mãe, mesmo sabendo que estariam unidas para sempre? Eu estava lá, segurando tua mão no embarque para que fosses sem tristeza e com muita esperança.

    - Lembra-te Maria do Meio, quando teu Soldadinho de Chumbo precisou de cuidados? Eu estava ao teu lado, te emanando energia e orando para que te mantivesses tranqüila, pois eu sabia que tudo não passaria de um momento difícil e todos poderiam comemorar a chegada do teu filho.

    - Lembra-te Maria Caçula, quando necessitastes de assistência médica? Eu estava lá, durante todos os dias em que passastes fora de casa, rezando por ti e te cuidando, para que voltasses forte, pois eu sabia que ainda terias muita vida pela frente.

    - Lembra-te Maria Neta, de cada lágrima que derramastes por não entender os rumos que a vida tomava? Eu estava lá, contigo no colo, secando tuas lágriminhas e te acalmando, pois eu sabia que um dia tu entenderias as razões da Vida.

    - E assim, mesmo depois da viagem, eu estive com vocês em cada Natal, cada Ano Novo, cada Formatura, cada Aniversário, cada almoço de Sexta-Feira Santa, em cada dia em que unidas ou separadas vocês riram ou choraram, pois vocês vieram de mim, e são parte de mim.

    E agora eu estou aqui pra brincar com vocês no jogo que eu costurei!"

    ---   ---   ---   ---   ---   ---   ---   ---   ---   ---   ---   ---   ---   ---   ---   ---   ---   ---   ---   ---   ---   

    Como eu gostaria de poder transformar este texto em realidade.

    sábado, 7 de maio de 2011

    Feliz Dia das Mães!

    Tem quem diga que Dia das Mães é todos os dias!

    Bobagem, frase pronta de quem não tem o que dizer...

    Todos os dias são dias de ser mãe, dias de cuidar, de educar, de respeitar, de ensinar, de proteger, de alimentar, de limpar, de controlar, de conversar, de abraçar e beijar os nossos filhos como se fosse a primeira vez em que os pegamos no colo!

    Porém, o Dia das Mães é um só, é simplesmente o dia em que nos lembramos do quanto é bom ser mãe, é o dia em que nossos filhos se lembram do quanto é bom nos terem como mãe, é o dia de comemorar!

    Especialmente pra minha!!! Que é a grande mãe da Márcia, da Isabel e da Kelly.
    E também...


    Pra Bela, que é a mãe da Bellinha e do Paulinho.
    Pra Kelly, que acha que é a mãe da Rebecca, mas na verdade é a mãe que qualquer bichinho queria ter.
    Pra Cida, que é a mãe do Toninho e é a mãe do coração da Maya.
    Pra Tia Julinha, que é a mãe do Ayrinho.
    Pra Tia Marilei, que é a mãe da Fernanda, do Zinho e da Renatinha.
    Pra Renatinha, que é a mãe da Sophia.
    Pra Regina, que é a mãe do André e da Daniela.
    Pra Tia Rosinha, que é a mãe da Adriana e do Marcelo.
    Pra Tia Lúcia, que é a mãe do Gabriel, do Mathias e do Pedro.
    Pra Dinda Heloísa, que é a mãe do Guilherme, do Gustavo e do Eduardo.
    Pra Elis, que é a mãe do Rafinha e da Natália.
    Pra Mirela, que é a mãe da Giuliana.
    Pra , que é a mãe do Arthur e do Guilherme.
    Pra Vivian, que é a mãe do Pietro e do Enrico.
    Pra Luciane, que é a mãe do Gabriel.
    Pra Jaque, que é a mãe do Pedro Henrique.
    Pra Simone, que é a mãe da Júlia e da Nicole.
    Pra Silvana, que é a mãe do Guilherme.
    Pra Tia Silvia, que e a mãe do Carlos Eduardo e da Maninha.
    Pra Fernanda, que é a mãe da Carol e do Gabriel.
    Pra Lisiane, que é a mãe do Pedro e do Gabriel.
    Pra Isabel, que é a mãe do Rafinha.
    Pra Daiane, que é a mãe do Arthur.
    Pra Roberta, que é a mãe da Isabella e do Antônio.
    Pra Sheila, que é a mãe do Raphael e do Nicolas.
    Pra Rejane, que é a mãe do Gabriel.
    Pra Maria, que é a mãe do Lucas e da Marina.
    Pra Tia Alzira, que é a mãe da Luciane e da Mariane.
    Pra Maria Cláudia, que é a mãe da Carol.
    Pra Claudinha, que é mãe do Nicolas.
    Pra Flávia, que é a mãe do Fernando.
    Pra Letícia, que é a mãe da Francielle.
    Pra Tia Antônia, que é a mãe do Luis Henrique, da Michelinha e do João Ricardo 
    Pra Profe Mari, que é a mãe da Luisa.
    Pra Profe Aninha, que é a mãe da Bianca.
    Pra Rita, que é a mãe da Bia, do Eduardo e do Bernardo.
    Pra Cleani, que é a mãe do Dado.
    Pra Maria, que é a mãe do Lucas e da Marina.

    E pra minha linda vózinha, em qualquer nuvenzinha do céu que ela esteja, que esteja feliz pelo seu dia. Ela foi uma super mãe!





    terça-feira, 3 de maio de 2011

    Uma frase...

    Tem gente que te "ganha" pra vida inteira por uma frase bem dita, bem colocada.

    Não estou falando de homens, estes são especialistas, mas nem sempre verdadeiros, estou falando de pessoas em geral. (Tudo bem, as mulheres quando querem também se superam...)

    Ela passava por um momento difícil, o que aconteceu com ela acontece com muitas mulheres, mas ela não esperava, nenhuma espera. Ela não foi ao aniversário de uma amiga, era tudo muito recente. Voltando da licença de saúde ela escreveu e explicou o ocorrido, desculpou-se, já sabendo que a amiga entenderia.
    O que ela recebeu de volta? Simplesmente a frase que a ganhou pra sempre.

    "Me chama, me avisa quando é a tua consulta, eu te levo, se precisar eu fico aí contigo."

    Foram mais ou menos estas as palavras dela.

    Nem eram tão amigas assim, se queriam bem, mas não eram "melhores amigas", se é que isto existe mesmo.

    Claro que a amiga dela sabia que ela tinha a quem recorrer, tinha muita gente muito mais próxima que a ajudaria, mas ela se colocou à disposição, como se ela fosse sózinha no mundo. A boa amiga não pressupôs nada, apenas agiu conforme o seu coração e a sua bondade, que diga-se de passagem é muito aparente.

    Ela então leu e só o que sentiu foi gratidão, uma imensa gratidão, agradecimento por uma amizade que ela não esperava que tinha, depois de todo o vendaval foi uma das vezes em que por um espaço de tempo se sentiu bem de novo. Essa amiga "ganhou" ela pra sempre, é uma pessoa por quem ela torce, por quem ela reza, com quem ela se preocupa, e por quem tem uma enorme estima, elas têm uma amizade verdadeira.

    Um grande beijo minha AMIGA Elis!

    sábado, 30 de abril de 2011

    Cadê ELE?

    Cadê o gerente? Será que ele não tá vendo?

    Tem vezes que bate um desespero, parece que tá tudo errado!

    Vão me dizer que é o tal do livre arbítrio, que fazemos o que queremos, e depois responderemos por nossos atos. Será? Pra mim isso é bug de sistema, o mundo é um sistema. E tá bem bugado.

    Primeiro grande bug, de permissão de acesso, tem gente que não deveria ter recebido senha, acesso negado e pronto, só acessam pra fazer bobagem, pra mexer nas tabelas dos outros.

    Falta relacionamento no banco de dados, o banco não tem integridade! Não há hierarquia, não há chave-primária definida, tão pouco chave-estrangeira. Não se respeita velho não se cuida das crianças, elas serão nossas chaves-primárias.

    Falta treinamento de usuário, os caras recebem o módulo e não sabem usar!

    Dá tiuti!



    http://oglobo.globo.com/cidades/sp/mat/2011/04/29/recem-nascida-abandonada-em-cacamba-de-lixo-em-sp-recebe-alta-924345444.asp

    sexta-feira, 15 de abril de 2011

    Pediu, levou!!!

    Certo dia, recebi este e-mail, estava sumida, mas fui obrigada a aparecer, pois a pessoa me cobrava ansiosamente a leitura do tal texto, estava pedindo, claro que levaria! O bom é que ele sabe perder!



    Abaixo o tal e-mail, referente ao ppt em anexo.
    "so seria mais perfeito
    se nas fostos estivesse o tuta e o pitico
    que são belos exemplares caninos
    de educação, beleza, inteligência, quase que
    fazem parte da realeza,
    muito diferente de umas cadelas e outras da familia Pinto,
    anasss perólas e afins...
    e um passarinho  que não se escapa..."


    Segue a educada resposta:
    Pra conhecimento público, os antepassados de Pérola Negra, na foto ao lado,  foram os cães de guarda pessoal e patrimonial dos Imperadores da China, por séculos e séculos, até que o comunista Mao Tse Tung decidiu que ter cachorro era luxo, então mandou exterminá-los. Os norte-americanos então, levaram a raça para os Estados Unidos, modificando-a genéticamente para que ficassem mais resistentes às doenças de pele, tal modificação originou o Shar-Pei mais alto, pernas mais compridas, mais magros e com rugas na proporção ideal de seus corpos, além da docilidade inerente aos seus semblantes, nunca rejeitando o instinto de proteção, pois quem foi guarda de um imperador, guarda com sabedoria e coragem qualquer pessoa.

    Traduzindo...Pérola Negra!!!!   

    Desta forma, é descabida a colocação de um vulgo Portuga a respeito da Canina. Canina esta que respeita bebês, comprovadamente pela família Pinto, no que diz respeito às visitas do Pingo de Ouro ao apartamento deste anjo de quatro patas. Canina esta que respeita idosos e pessoas com deficiência, podemos contar com o testemunho de um membro das Oliveiras, a que agora ocupa o lugar da Matriarca, por ser a mais velha, não é Pinto, mas seu depoimento tem mais força pela idade, integridade e pelo forte sobrenome, que por si só basta, não necessitando 7, 8 sobrenomes ou mais como D. João, D. Pedro I, II, P...F...A..., etc... pois o grito do Ipiranga foi um só, a partir daí, Portuga se cala.
     
    Quanto ao titico, e pitico, pupurico, ou coisa e tal, pode-se dizer que são cachorrinhos legais, membros da realeza com certeza, pois carregam consigo a inocência que nenhum título de nobreza confere a nenhum ser humano, porém não têm história internacional de superação, de sobrevivência, coragem, docilidade, beleza e respeito, principalmente respeito por vidas humanas. Quanto à ave, infelizmente nada a declarar, nem a defender, nem a criticar, aves são aves... 

    quinta-feira, 7 de abril de 2011

    As crianças são o futuro! O delas acabou.

    Quanto a estas crianças, só nos resta rezar para que elas entendam e aceitem por que as suas vidas foram interrompidas de uma forma tão horrorosa. 

    Pra nós é sem explicação, talvez onde estejam, alguém consiga confortá-las. 

     

    Pare o que você estiver fazendo e beije muito seus filhos, aproveite cada momento com eles. 

     

    Não sabemos até quando estaremos juntos.

     

    quarta-feira, 6 de abril de 2011

    Façam ela esquecer que tem dedos nos pés!

    Alguém, por favor, faça Ela esquecer que tem dedos nos pés!

    Ela já declarou, que se pudesse, tiraria as unhas, mediante cirurgia, é claro, com anestesia geral, simplesmente. Aí, a mulherada, principalmente, diz:

    - Que horror! Vai usar sandália como? E esmalte nunca mais? Ficaria horrível! Defeituosa!

    Ela preferia ficar defeituosa do que ter a dor perfeita!

    Tudo começou depois do nascimento do pequenino dela, três dias depois mais precisamente. Todos as unhazinhas dos pézinhos dela estavam encravadas, as 10 !

    Desesperada, foi a um demartologista que revelou ser efeito do parto, efeito hormonal, e indicou uma cantoplastia, para os dedos grandes, e assim ela a fez! Nunca sentiu tanta dor, passada a anestesia, a via sacra começou!


    Pois é, a partir de então,  de tempos em tempos a pele reage a ausência da parte da unha retirada desde a matriz, e dói, dói muito, muito mesmo, muito muito mesmo. Segundo a segundo ela lembra que tem dedos nos pés.

    Algúem, chame o podólogo!!!!

    terça-feira, 5 de abril de 2011

    Alô....

    - Alô...
    - ....
    - 9114-... Oi!!!!... Tudo bem, e você?
    - ....
    - Pois é, as coisas mudam, né? Você não esperava? Claro, não me conhece!
    - ....
    - Não, coragem não me falta... às vezes dá preguiça, falta disposição, também canso, sou humana, mas coragem eu tenho de sobra, sou leonina!
    - ....
    - É, é bem isso, mas fazer o quê? Como poderia ser diferente?
    - ....
    - O que eu estou esperando? Lembra da Ivete? Quando a chuva passar, quando o tempo abrir, abra a janela... Então, deixa a chuva passar, calma, não se afobe!
    - ....
    - Óbvio que sim, eu sempre penso em tudo, passos milimetricamente calculados, milimetricamente... nunca friamente, agir só com a razão não tá com nada.
    - ....
    - É, ahã... ahã...sim...sim...
    - ....
    - Zengoldabil! Dizem que funciona.
    - ....
    - Pra você também, tchau, beijo!

    segunda-feira, 4 de abril de 2011

    Teria sido bom...

     Meu pequenininho,


    Teria sido bom ver você completar seus 5 aninhos também; porém, talvez, sem a sua partida eu não tivesse tido o meu Soldadinho de Chumbo. Eu nunca vou saber. Foi o rumo que a vida tomou...

    Eu sei e acredito que você está perto de completá-los!


    Parabéns!!!


    Que você seja muito abraçado, beijado e acariciado demoradamente... Seja pela sua mãezinha, seja  por um lindo anjo.


    "Das lembranças que eu trago na vida,
    você é a saudade que eu gosto de ter,
    só assim, 
    sinto você bem perto de mim,

    outra vez..."

    Jaquita maluquita!

    Jaquita é uma das bonecas da Vida.

    É uma bonequinha delicada, porém agitada. Um dia a Vida descobriu que poderia rabiscá-la e aos pouquinhos foi colorindo o seu corpo. E não é que a bonequinha gostou? Teve braços e pernas pintados. Cores vivas, imagens curiosas, bem de acordo com a alma da bonequinha, alma de quem tem muito prazer em viver e desperta muita curiosidade em quem brinca com ela.

    Ela é uma boneca meiga, mas às vezes se ataca, fala descontroladamente, parece que a sua gravação disparou em looping, um atrás do outro.

    Então a Vida tira e repõe as pilhas nela, e recomeça tudo de novo!

    Ela é um brinquedo duradouro, como não se faz há muito tempo, passam-se os anos e ela está inteirinha, prontinha.

    Você pode brincar que ela é uma secretária, telefonista, produtora musical, escritora, artesã, mamãe e Amiga!


    Te adoro Jaque!

    quinta-feira, 31 de março de 2011

    Comprometa-se definitivamente.

    "Em relação a todos os atos de iniciativa e de criação, existe uma verdade fundamental cujo desconhecimento mata inúmeras idéias e planos esplêndidos: a de que no momento em que nos comprometemos definitivamente, a providência move-se também. Toda uma corrente de acontecimentos brota da decisão, fazendo surgir a nosso favor toda sorte de incidentes e encontros e assistência material que nenhum homem sonharia que viesse em sua direção.

    O que quer que você possa fazer ou sonhe que possa, faça.

    Coragem contém genialidade, poder e magia. Comece agora."

    Johann Wolfgang Von Goethe
     
     

    terça-feira, 29 de março de 2011

    Uma fadinha chamada Suzana.

    Se você precisar de ajuda, chame-a. Bata os minguinhos dos pés, um contra o outro e ela virá lhe atender.

    Vamos lá! Tente! Tente emitir som, será que ela virá?

    Conseguiu? Ouviu? 

    NÃO???!!!

    É por que você não a conhece...Que pena... Não foi privilegiado pela vida.... 

    Está bem, esqueça os minguinhos, não precisa. Ela não espera você chamar, ela não espera ouvir seus minguinhos batendo um contra o outro, isto se você conseguir batê-los sem bater os outros dedos. É... ainda tem este detalhe. 

    Ela é disponível e se põe sempre disponível. Não que ela não tenha nada a fazer, ela tem muito, tem suas coisinhas, tem os seus pra cuidar,  mas sempre estará alí, pra te dar um parabéns, pra te enviar uma piada, pra te mandar um conselho, pra cuidar de quem você gosta. 

    E foi isto que ela fez por muito tempo! Cuidou de quem eu gosto. Cuidou como só quem eu gosto poderia cuidar de quem eu mais gosto, de quem eu mais amo. 

    Amor é transmissível! Ame a quem eu amo e eu te amarei também!

    Um dia ela deu um "Tchau", não seria mais rotineira a presença dela, mas a sua amizade continua dando "Oi" muito seguidamente.

    Então, "Oi Suzaninha", e que continuemos nos dando "Oi" por muitos e muitos anos.

    O saquinho de pano está muito parado...

    Humm... o saquinho de pano das 5 Marias está muito quieto...

    Cada uma pulando do seu jeito, adoidada e solitária...

    Tá faltando integração... Uma Maria só é uma Maria porque existem as outras quatro.

    Sábado é o dia! Todas reunidas festejando o aniversário do Soldadinho de Chumbo! 

    O quarto da Vida vai virar de pernas pro ar!!!

    terça-feira, 22 de março de 2011

    O Soldadinho de Chumbo.

    Ele é um Soldadinho de Chumbo. E ela é apaixonada por ele!

    Ele é um gentil cavalheiro, muito educadinho,  é carinhoso e engraçado. Pede licença, diz obrigado, devolve o que pede emprestado. Também faz travessuras, fala bobagem, teima. Óbvio, ele só tem 5 anos, e tem muita saúde!

    Ela é sua mãe, dispensa-se caracterizações!

    Ele nasceu lutando pela vida, nem imaginava que naquele dia veria o mundo do outro lado daquele imenso barrigão. Imenso, mas pra ele, já apertado. 

    Ela sabia que ele viria, estava ansiosa, mal dormiu à noite, pensava que em dois ou três dias ele estaria lá, em casa com eles, e ao mesmo tempo sabia que ele já estava lá, era a grande diferença entre o dentro e o fora, era o ir pra poder voltar. 

    Tudo correu bem, mas ele teve dificuldade em se adaptar, mundo estranho, precisou de cuidados. Pra ela tudo perfeito, mas estavam separados. O tempo passava e ela ouvia choros e choros, foram uns sete diferentes, calminhos, escandalosos, sofridos, uns eram quase nada. Mais bebês nasciam... Muita estranheza, os pequenos saíam daquela sala já vestidos. Algumas das meninas que ela viu usavam até um enfeite na cabeça, ela pensava, estariam ali há quanto tempo? Quase nada, menos tempo que o seu, que estava longe dela.

    Ela se mantinha calma. Existe um ditado que diz que se numa situação difícil você consegue se manter calmo, das duas uma, você está muito bem preparado ou não tem a menor noção do que está acontecendo. Era a segunda alternativa.

    Foi o período da manhã à noite mais longo de toda a sua vida, ela só recebia notícias, não podia ir para o seu quarto, e a única coisa que ela dizia era para ficarem lá ao lado dele, a final ele não estava acostumado a ficar sózinho. Até que se rendeu aos maus pensamentos e sem querer acreditar, mas preparando o coração, chorou compulsivamente.

    Com a chegada da noite, finalmente, puderam estar juntos, ele ainda sob cuidados, mas estava lá, inteirinho, perfeitinho, diziam pra ela que ele era o Gatão da UTI de tão forte que nascera, mas ao mesmo tempo ela não perdoou, lembra até hoje tamanha falta de empatia de quem teve por escolha cuidar dos outros e esqueceu-se disto. Perguntaram a ela se ela sabia qual era o seu. Cadê o cuidado? Brincadeirinha idiota, ela tinha visto ele por cerca de 1 minuto apenas... 

    Aquele olhinho olhava pra ela, via o que sempre sentiu, pela primeira vez. Nenhuma máquina fotográfica conseguiria registrar com tanta precisão o que até hoje está na memória dela,  os seus olhinhos, a expressão.

    Foi difícil, por muito tempo ela se sentia em dívida com ele. Ela não entendia que não poderia ter evitado aquele período em que passaram separados. Ele precisava nascer, estava acomodado, sózinho não conseguiria e isto teve conseqüências.

    Hoje ele completa 5 anos. 


    Ele não lembra, foi um começo difícil que passou logo. 

    Ela lembra como O Dia mais Feliz da sua Vida!

    terça-feira, 15 de março de 2011

    A angústia da espera.

    A angústia da espera é uma das mais agudas, ela atravessa o peito. Tem forte cheiro de decepção e um breve aroma de conquista. Poderia ser o contrário, mas como é difícil acreditar que vale a pena esperar!

    Ela já esperou tanto:

    Esperou nove meses para chegar;

    Esperou pra ir pro colégio, esperou a mãe ir buscar ;

    Esperou pra se formar;

    Esperou que o cabelo crescesse pra poder cortar ;

    Esperou que o escuro chegasse pra poder chorar e que tudo se acalmasse pra poder se deitar;
    Esperou que o dia chegasse pra festejar;

    Esperou que o inverno fosse embora, pro calor chegar;

    Esperou que o sonho terminasse pra poder acordar e esperou que acordasse pro pesadelo acabar;

    Esperou que ele olhasse pra ela pra retribuir o olhar;

    Esperou que a barriga crescesse pro filho chegar e esperou que ela diminuisse pra aquela roupa usar;

    Esperou que o vento se afastasse pra poderem brincar;

    Esperou que naquele dia, ninguém viesse visitar;

    Esperou que o e-mail chegasse pra poderem conversar;

    Esperou que o fim de semana terminasse pra ir trabalhar e esperou que o trabalho terminasse pro fim de semana começar;

    Esperou a aula começar pra tentar recomeçar;



    E aí?


    Só esperando pra saber...




     


    quinta-feira, 10 de março de 2011

    Estou apaixonada...


    Minha mais recente paixão, acumulada com as outras, é claro!

    Vou pedir pra dar uma volta no caminhão dele!


    terça-feira, 8 de março de 2011

    - Alô!
    - .....
    - Sim, sou eu.
    - .....
    - Então chegou a hora? Claro, estava esperando seu chamado!
    - .....
    - Certo, quando será?
    - .....
    - Por mim qualquer dia, qualquer hora, poderia ser até hoje. Quanto antes melhor, mas sei que temos um regulamento a seguir.
    - .....
    - Está bem, estarei lá conforme combinado, uma hora antes.
    - .....
    - Boa sorte? Obrigada, mas não me deseje sorte, sorte é pra quem não se prepara, eu preciso é de tranqüilidade.
    - Deseje-me somente T R A N Q Ü I L I D A D E ...





    Não entendeu nada, né?  Não se importe com isto, apenas deseje-me tranqüilidade!

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