O saquinho de pano das
5 Marias precisava se movimentar, estava muito parado e já empoeirando...
Maria pra cá, outra Maria pra lá, o tempo passando e elas cada vez mais ansiosas, esperando movimentação.
Porém, nem sempre as coisas são como se quer. Terremotos, tsunamis, crianças machucadas, tornados, acidentes de trânsito. A Vida andava ocupada, há muito a ser feito, e essa menininha que parece incansável, mas não é, precisava "trabalhar" e também descansar. Brincar... só quando tudo corre bem. Só cabia às Marias esperar ou então... agir, loquear, pirar na batatinha!
Combinaram em segredo: -"Vamos lá, de noitinha, quando a menina voltar a dormir. Sabemos que ela dorme com um olho só, então é só não fazer muito barulho. Maria Neta, pode rir, mas rí baixinho, não fica louca!"
E assim foi...uma por uma saíram do saquinho de pano e começaram a pular. Pulavam sózinhas, pulavam juntas, davam cambalhotas, riam até rolar, se batiam umas nas outras e se ajudavam a pular cada vez mais alto. Até que o tempo passou e tiveram que voltar.
Chegando de volta, viram o saquinho em posição diferente da que tinham deixado.
-" E agora?" Disse Maria Mãe.
- "A menina vai se aborrecer, ela é geniosa, vai achar que mexeram nas coisas dela!"
- "Entrem logo." Disse Maria do Meio.
- "Já está feito, se ela ficar braba azar é dela, precisamos dela, mas ela também precisa da gente."
E entraram receiosas. Só que não couberam todas as Marias de forma espaçosa como antes, o saquinho estava ocupado por uma sexta Maria, mais velhinha, meio descosturada e desbotadinha que parecia ter sido feita há muito tempo. Mas por quem? Quem era ela? E como assim, entrar no saquinho de panos costurado pela
Vó Dita com a cara e com a coragem...
- "Quanta audácia!" Exclamou Maria Caçula, enquanto Maria Neta olhava com os olhinhos arregalados!
Aquela Maria velhinha olhava de um modo tão terno e trazia no semblante carinho e saudade, parecia que já as conhecia, parecia que nunca estivera estado longe.
No silêncio do amanhecer um
tum tum ficava cada vez mais alto e mais rápido, e os olhos das Marias voltaram-se para Maria Mãe, o barulhinho vinha dela, seu coraçãozinho marchava, ela parecia não acreditar no que estava acontecendo, era
o tão desejado reencontro. Ela estava lá! Como que por um milagre a Vó Dita estava lá, agora ela era uma delas, a Vó que as criou, agora estava novamente junto a elas!
Surpresa da Vida? De volta à Vida!

Ela se aproximou e uma a uma as abraçou, como as abraçara há muitos e muitos anos, deixando nos seus corpinhos o seu perfume, o seu inesquecível perfume, e o seu tocar, tão delicado quanto um sopro de humanidade!
Ela dizia com um sorriso estampado. "
Fala couro de gato, fala meu tamborim! Eu vim brincar, eu também quero participar, mas agora com vocês sabendo que eu estou por aqui, pois:"
"- Lembra-te
Maria Mãe, quando passastes o momento mais difícil da tua vida, quando aquilo pelo qual lutavas acabou sem ao menos um Adeus? Eu estava lá para te ajudar a fechar a porta à noite, pois eu sabia que a tua vida mudaria definitivamente, pois ele jamais voltaria.
- Lembra-te
Maria Mais Velha, quando fostes em busca da tua felicidade, com aperto no coração por deixares tua mãe, mesmo sabendo que estariam unidas para sempre? Eu estava lá, segurando tua mão no embarque para que fosses sem tristeza e com muita esperança.
- Lembra-te
Maria do Meio, quando teu Soldadinho de Chumbo precisou de cuidados? Eu estava ao teu lado, te emanando energia e orando para que te mantivesses tranqüila, pois eu sabia que tudo não passaria de um momento difícil e todos poderiam comemorar a chegada do teu filho.
- Lembra-te
Maria Caçula, quando necessitastes de assistência médica? Eu estava lá, durante todos os dias em que passastes fora de casa, rezando por ti e te cuidando, para que voltasses forte, pois eu sabia que ainda terias muita vida pela frente.
- Lembra-te
Maria Neta, de cada lágrima que derramastes por não entender os rumos que a vida tomava? Eu estava lá, contigo no colo, secando tuas lágriminhas e te acalmando, pois eu sabia que um dia tu entenderias as razões da Vida.
- E assim, mesmo depois da viagem, eu estive com vocês em cada Natal, cada Ano Novo, cada Formatura, cada Aniversário, cada almoço de Sexta-Feira Santa, em cada dia em que unidas ou separadas vocês riram ou choraram, pois vocês vieram de mim, e são parte de mim.
E agora eu estou aqui pra brincar com vocês no jogo que eu costurei!"
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Como eu gostaria de poder transformar este texto em realidade.