quarta-feira, 27 de julho de 2011

O sumiço de Pingo de Ouro e do Soldadinho de Chumbo

Que eles se adoram dá pra ver... fica estampado nos seus rostinhos. O pequeno Pingo de Ouro bate palminhas quando o primo, o Soldadinho de Chumbo chega, ele balança as suas perninhas freneticamente. Ele acaricia o primo maior, com as suas mãozinhas contornando o seu rosto, e falando "ahhhh...ahhhh....ahhhh".

Pois bem, o dia da comemoração do seu primeiro aninho junto às 5 Marias chegou. Todos em festa! A vida estava eufórica! É uma grande vitória manter-se por um ano em um serzinho tão forte, mas tão frágil e tão necessitado de cuidados como um bebê. Ela vencia! E sorria! Usava roupa branca, muito branca, impecavelmente esticada. Os cabelos eram lisos, pra quem quisesse que fossem lisos, encaracolados, pra quem preferisse assim. Curtos, compridos, negros, ruivos, loiros, "ao gosto do freguês"!

Como em dias comuns, alheio à tanta movimentação o Pinguinho de Ouro foi banhado, arrumado e dirigiu-se ao salão da grande comemoração com seus pais, Maria Mais Velha e Calmaria. As Tias Maria do Meio e Maria Caçula não queriam nada além de afofá-lo e falar o quanto ele estava elegante! Logo o Soldadinho de Chumbo correu para acariciá-lo. E assim a festa se desenrolou!

Festa, música, conversas, comidas, brincadeiras, barulho, distração e.... Onde estavam os dois, onde estariam os primos? Não pode ser? Como teriam saído do salão? E teriam ido para onde? E sem autorização da menina? Humm, eles são pequenos, mas sabem que ela é geniosa, voluntariosa, mandona, tem as rédias nas mãos e muitas vezes não compreende seus próprios atos, é a Vida! Quanto risco! Teriam sido levados? Estariam escondendo-se?

Enquanto a família começava a dar conta do seu sumiço, os dois caminhavam, ou melhor, o Soldadinho de Chumbo conduzia o engatinhar do pequeno Pingo de Ouro. Não sabiam onde iriam, mas sabiam que iriam. E foi assim que voaram, num cavalo azul, como o da história, o cavalo não era alado, essas coisas não existem, mas que ele voava, voava.

O vôo foi alto e extenso. Sobrevoaram cidades, praias, campos. Os dois agarradinhos na crina do gentil animal, que não galopava. O cavalinho flutuava e conduzia o seu vôo ao sabor das emoções dos primos. 

O tempo passou sem que percebessem. Normalmente crianças nesta idade não sabem contar o tempo. O Soldadinho tinha mais noção, mas Pingo de Ouro só queria tentar pegar o vento!

O cavalinho parou, num lugar muito agradável, um lugar que nunca houveram de estar antes, e não estariam lá tão cedo. Estariam onde? Não tinha brilhos, não tinha brinquedos, não tinha coisas mágicas nem formas excêntricas que hipnotizariam qualquer um. Era simplesmente um lugar bom de se estar, aí estava o verdadeiro encantamento do lugar.

Sentadinhos, de mãozinhas dadas, muito tranquilamente, perceberam a proximidade de alguém, alguém que lhes causou bem-estar, lhes proporcionou paz, sorrisos de satisfação, pois sem perceberem estavam conhecendo alguém muito importante na vida deles, alguém que foi responsável pelo começo, o começo de tudo, uma hábil costureira...(A Avó)

Ela carinhosamente os acolheu em seu colinho, os acariciou, os beijou com uma estima incomparável, somente próxima a quem segura seus filhos amados e então os abençoou, dizendo que os "aventureiros" deveriam voltar para a festa, pois estariam fazendo falta e que nunca se esquecessem de que não são primos por acaso, que suas vidas se cruzaram por um motivo, o qual eles só poderiam compreender muito mais tarde, e que a forte e visível amizade deles deveria ser cultivada para todo o sempre.

E assim os pequenos montaram no seu cavalo azul, que como já disse, não tinha asas, mas voava, e voltaram para a festa. Numa fração de tempo os dois foram encontrados debaixo de uma das mesas, distraidamente brincando com os animaizinhos da fazenda. 

Ahã, o tempo é relativo, e dá pra muita coisa! E ela estará sempre por perto!



quarta-feira, 20 de julho de 2011

Procura-se um amigo.

Procura-se um amigo


Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
 

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
 

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
 

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinícius de Moraes


Este texto eu recebi da minha amiga Karina, que está para receber muito em breve a maior e melhor amiga que ela sonhou que poderia (além da sua mãe). Boas vindas à Maria Alice. 

Que a amizade delas seja intensa e para sempre!

F E L I Z  D I A  D O  A M I G O!

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