terça-feira, 22 de março de 2011

O Soldadinho de Chumbo.

Ele é um Soldadinho de Chumbo. E ela é apaixonada por ele!

Ele é um gentil cavalheiro, muito educadinho,  é carinhoso e engraçado. Pede licença, diz obrigado, devolve o que pede emprestado. Também faz travessuras, fala bobagem, teima. Óbvio, ele só tem 5 anos, e tem muita saúde!

Ela é sua mãe, dispensa-se caracterizações!

Ele nasceu lutando pela vida, nem imaginava que naquele dia veria o mundo do outro lado daquele imenso barrigão. Imenso, mas pra ele, já apertado. 

Ela sabia que ele viria, estava ansiosa, mal dormiu à noite, pensava que em dois ou três dias ele estaria lá, em casa com eles, e ao mesmo tempo sabia que ele já estava lá, era a grande diferença entre o dentro e o fora, era o ir pra poder voltar. 

Tudo correu bem, mas ele teve dificuldade em se adaptar, mundo estranho, precisou de cuidados. Pra ela tudo perfeito, mas estavam separados. O tempo passava e ela ouvia choros e choros, foram uns sete diferentes, calminhos, escandalosos, sofridos, uns eram quase nada. Mais bebês nasciam... Muita estranheza, os pequenos saíam daquela sala já vestidos. Algumas das meninas que ela viu usavam até um enfeite na cabeça, ela pensava, estariam ali há quanto tempo? Quase nada, menos tempo que o seu, que estava longe dela.

Ela se mantinha calma. Existe um ditado que diz que se numa situação difícil você consegue se manter calmo, das duas uma, você está muito bem preparado ou não tem a menor noção do que está acontecendo. Era a segunda alternativa.

Foi o período da manhã à noite mais longo de toda a sua vida, ela só recebia notícias, não podia ir para o seu quarto, e a única coisa que ela dizia era para ficarem lá ao lado dele, a final ele não estava acostumado a ficar sózinho. Até que se rendeu aos maus pensamentos e sem querer acreditar, mas preparando o coração, chorou compulsivamente.

Com a chegada da noite, finalmente, puderam estar juntos, ele ainda sob cuidados, mas estava lá, inteirinho, perfeitinho, diziam pra ela que ele era o Gatão da UTI de tão forte que nascera, mas ao mesmo tempo ela não perdoou, lembra até hoje tamanha falta de empatia de quem teve por escolha cuidar dos outros e esqueceu-se disto. Perguntaram a ela se ela sabia qual era o seu. Cadê o cuidado? Brincadeirinha idiota, ela tinha visto ele por cerca de 1 minuto apenas... 

Aquele olhinho olhava pra ela, via o que sempre sentiu, pela primeira vez. Nenhuma máquina fotográfica conseguiria registrar com tanta precisão o que até hoje está na memória dela,  os seus olhinhos, a expressão.

Foi difícil, por muito tempo ela se sentia em dívida com ele. Ela não entendia que não poderia ter evitado aquele período em que passaram separados. Ele precisava nascer, estava acomodado, sózinho não conseguiria e isto teve conseqüências.

Hoje ele completa 5 anos. 


Ele não lembra, foi um começo difícil que passou logo. 

Ela lembra como O Dia mais Feliz da sua Vida!

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