domingo, 12 de junho de 2011

Ontem

Ontem ela se deitou e um texto inteirinho desenrolou-se na cabeça dela, frase a frase, vírgula a vírgula, e entre frases e vírgulas havia sentimento e era mais ou menos assim...

Certa vez ela se doou de corpo e alma, mas só conseguiu laços com a alma, o corpo não sustentou a relação, ou melhor, ela achava que não havia sustentado, mas doar-se por tão pouco tempo foi suficiente para que ele voltasse a procurar por ela. E por que "ele"  e não "ela"? Por que ela pensa que é "ele" e não "ela". Só isso!

E só ontem ela percebeu que ele pode ter vindo velho, adulto, menino ou bebê? Mais uma dúvida! Ela só sabe que ele veio sapeca, travesso, brincalhão, e ela nunca teve medo dele. Mas o importante foi que ele veio para o momento da despedida. Privilégio pra ela! E que a sua chegada tenha sido explêndida, a final, se ele "cresceu" com ela em apenas tão pouco tempo, ele mereceu chegar!

Depois ela se doou novamente, de corpo e alma, cheia de medo, cheia de ansiedade, querendo sentir cada momento do dia à flor da pele. Ela sabia que ele não voltaria, mas sabia que alguém chegaria, e ela não queria ser mais um instrumento, instrumento importantíssimo de passagem, mas queria ser um instrumento pra esta vida. E ela compartilhou, o corpo ainda é dela, mas a alma já foi entregue, a alma e o coração. Se doou pra alguém que realmente chegou, e este ela sabe, chegou "ele" e chegou bebê.

E ela se pergunta, por que tanto amor, de onde sai tanto sentimento por ela? Ela não é ninguém especial... ela só conseguiu se doar, e recebe doação em troca.

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