quinta-feira, 7 de junho de 2012

Deixar de viver.

Deixar de viver não é morrer;
É jogar a toalha antes de estar suado;
É chorar o gol perdido antes de chutar a bola;
É terminar o gás com o bolo no forno;
É descer antes da parada e não andar nem mesmo a pé;
É lamber só o palito do picolé;
É caminhar o tempo inteiro, e atravessar a linha de chegada sózinho, sem ninguém pra assistir;
É terminar o caderno sem ter usado as últimas folhas;
É ler a metade da piada e começar a rir sem ter vontade;
É apontar todo o lápis no momento em que se tira da caixa;
É trocar as pilhas ainda novas do controle remoto;
É abrir o chuveiro e não tomar banho, mas mesmo assim sair de toalha enrolada na cabeça;
É nunca mais sentir o frio do inverno nas bochechas e desprezar o calor do verão no alto da cabeça;
É não se alimentar mais, não matar a sede, não fazer mais xixi;
É não dar tchau.
É fechar o caixão enquanto do lado de fora;

Deixar de viver não é morrer, morrer é renovar, começar de novo, na outra série, outro grau, avançado; aprendendo, ensinando, sentindo, reagindo, usufruindo e ainda amando.

Deixar de viver é rodar, é começar tudo de novo da estaca zero, é a busca pelo entendimento, pelos motivos. É coragem, é covardia, é pergunta sem resposta, é amor, é desamor, é sentimento que não se entende e não se pode mais tentar de explicar. Deixar de viver é sofrer.


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