Chegando lá, como sempre, ele somente a ouviu, e ela falou, falou muito com ele.
Ela sabia que ele não seria seu muro de lamentações, nem era isto que ela queria, mas se ela não falasse pra ele tudo o que precisava falar, falaria pra quem? Falar tudo mesmo, sem restrições...Tudo o que imagina, o que quer, o que vai terminar e o que vai começar? Só pra ele!
Tá, ele deveria estar chateado, a final, há anos ela não o procurava. Não que ela não tivesse precisado dele, claro que precisou, mas parece que se esqueceu daquela amizade. Logo dele, que caminhou ao lado dela no passado.
E ela não era boba. Durante uma semana fez contato, não iria aparecer assim de repente, mas como sempre, nas suas breves falas, ele só a ouvia. Ele sempre foi assim.
Como ela queria que ele falasse com ela!
Ele estava lá, esperando que ela chegasse e assim como não olhava diretamente pra ela, não olhava pros outros, olhava pra todos ao mesmo tempo, mesmo que em direções diferentes.
Ele é tão bonitinho, parece um principezinho, e como tal ele se comporta, sua roupa é linda e a cabecinha sustenta o peso da coroa imponentemente. Mesmo imóvel, sem um sorriso, ele deixa transparecer bondade. E ele quer tão pouco, só quer que falem com ele, só quer que o ajudem a ajudar, e parece que ela havia se esquecido mesmo de como é fácil ser amiga dele. Enfim, ele é uma criança, e que criança não gosta de amigos?
Ela confia nele, ele não está brabo não, está é feliz que ela voltou, e ele vai caminhar novamente com ela, ou melhor ela voltou a caminhar com ele, pois ele nunca a abandonou.
*Devocionário do Menino Jesus de Praga
Av. José Bonifácio, 645 - Porto Alegre