
Ontem ela olhou seu corpo com outros olhos pela primeira vez.
A curiosidade foi desperta pela imagem das pernas de uma mulher, eram varizentas, flácidas e esburacadas, e ela era ainda bem nova. Na rua mesmo ela olhou pras suas, de frente e de costas, sem a mínima vergonha de se verificar, o clima permitia, faz calor.
"Humm! Ainda não estão assim", pensou com ar de satisfação e com pena da outra.
A final ela ainda é jóvem, e sente-se muito jóvem, mas às vezes o corpo não acompanha a juventude da cabeça, esse agora é seu medo!
Bateu o pavor! Em casa olhou-se todinha no espelho, concluiu que não "embarangou" muito, o rosto ainda se preserva, avaliou cada poro, com caras e bocas. Ele está intácto, e confessa elogiando-se: "Bem, é a melhor parte!".
O bicho vai pegar na "linha do equador" pensou desanimada.
A barriga foi o maior susto, está menor do que já esteve é claro, esteve grande, a final abrigou uma vida, mas não está bom, parece que teima em se mostrar, a exibida. E agora?
O bumbum, humm... Ainda está em forma, mas tem que se preservar, é traiçoeiro!
Muito abdominal... e ela odeia abdominal! Que tal boxe, dizem que é tudo de bom! Além do que se pode massacrar aquele tal boneco!
Ela ainda não tem cabelos brancos e nem calinhos nos dedos dos pés, que são de última, então ainda resta esperança!
No fundo ela sabe o que despertou tanta preocupação, as pernas varizentas da outra foram um estímulo relâmpago, a questão já pairava na sua mente, por meio de outro estímulo motivacional. Bemditas ou malditas palavras?