terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A primeira perda.

Soldadinho de Chumbo é uma criança muito alegre, incontestavelmente alegre! E é feliz! Tem tudo o que precisa pra sua vidinha de 4 anos, não é nem de longe rico, mas tem riqueza, riqueza espiritual, amorosa, e muito bem-estar!

Ele nunca ficou triste. Ele já esteve desapontado, já se decepcionou, em situações em que não pode comprar o brinquedo que viu na prateleira do supermercado durante as compras, ou quando não comeu um doce, ou não fez um passeio que desejava.

Tristeza nunca se viu naqueles olhinhos, antes desta semana, quando o seu primeiro bichinho, o primeiro que chegou depois dele, chegou pra ele, foi pro céu.

O peixinho Neném não estava bem, era muito gordo, não nadava mais, mas se alimentava. O fim estava próximo, mas quem poderia saber quando seria?

Ele recebeu a notícia sem chorar, mas o brilho nos olhinhos se apagou por uns instantes, a expressão se modificou, nunca Ela tinha visto esta expressão naquela criança de energia tão contagiante. Ela explicou o que havia acontecido, ele aceitou, sem entender direito. Ele argumentava que ele não tinha ido ainda pro céu, ele estava ali, até que entendeu que quem vai pro céu é a alma. Ela ofereceu pra descerem e enterrarem o peixinho no jardim, ele não quis, mas concordou em levar o Neném pra vó, a vó faria o enterro.

Foram mais de 1 ano e meio juntos, contando a segunda encarnação do peixe Beta, pois é, da primeira perda ele foi poupado, a mãe achou que ele era muito pequeno pra entender, então a vó levou o bichinho pro médico, pra consultar e ele voltou curado! Boa saída... Mas agora ele está maior, ela achou que se foi assim, então ele poderia entender e suportar o ocorrido, enfim, ele tem mais um bicho, tem a Pérola, que qualquer dia, sabe-se lá quando, também fará a viagem definitiva, pois já está na terceira idade.

No dia de fato, o pequeno ficou bem, contou pra todo mundo a notícia triste, conversou a respeito e parecia ter superado sem maiores dificuldades. No outro dia de manhã a ficha caiu, ele chorava baixinho, sem dizer o que acontecia no seu interior, até que aos poucos no colo da mãezinha começou a pronunciar o nome do peixinho, até cair em choro compulsivo querendo seu peixinho de volta. Aquele bracinho se esticava em direção a janela, ao céu, abria e fechava a mãozinha chamando pelo peixinho, como fazia quando era bebê.

Que situação... a vontade dela era dizer pra ele que o bichinho iria voltar, só estava passeando, e ir até a lojinha comprar outro, estaria tudo solucionado, mas não foi o que ela achou certo, a final, eles têm a "Pilê", ela não vai poder fazer isto quando for com a "Pilê".

Depois de um tempo ele ficou bem, acalmou-se e foi brincar. O aquarinho está lá, limpinho aguardando novo morador. Ele mesmo decidiu esperar um pouco antes de ter outro bichinho, a final o Neném não será substituído, apenas terão outro companheiro pra alegrar suas manhãs atrás de comidinha.



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